Retrospectiva 2023: Serviço Geológico do Brasil ampliou conhecimento sobre águas superficiais e subterrâneas

27/12/2023 às 00h00
 | Atualizado em: 01/03/2024
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Com estudos hidrológicos e hidrogeológicos, além de ações de monitoramento, SGB subsidiou gestão e aproveitamento dos recursos hídricos, pesquisas e medidas para prevenção de desastres


O Serviço Geológico do Brasil (SGB) – empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME) – deu contribuições significativas, em 2023, para ampliar o conhecimento hidrológico (sobre águas superficiais) e hidrogeológico (sobre águas subterrâneas). As ações são essenciais para a gestão e aproveitamento dos recursos hídricos, pesquisas, além de subsidiar medidas para prevenção de desastres relacionados a eventos hidrológicos críticos – como enchentes e inundações, e secas e estiagens. A experiência do SGB também contribuiu com projetos internacionais coordenados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e ainda com os debates sobre compartilhamento de informações relativas ao Aquífero Guarani – principal reserva de água subterrânea da América do Sul e um dos maiores aquíferos do mundo. Ao longo do ano, o SGB realizou a operação e manutenção de aproximadamente 80% das estações da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) e de Referência (RHNR), em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Os dados gerados a partir da operação da RHN constituem a base do conhecimento hidrológico do país. Em 2023, houve a descentralização da operação da rede, por meio da implementação dos Núcleos de São Luís, no Maranhão, e Cuiabá, em Mato Grosso. As informações geradas foram disponibilizadas em tempo real no site do SGB. Na página, também foram apresentadas informações sobre as medições de vazões realizadas no período da seca da Amazônia por meio de painéis, assim como das cotas de interesse para navegação. O ano de 2023 também marcou a retomada do Curso Internacional de Medições em Grandes Rios: Técnicas de Medição. Entre agosto e setembro, foi realizada a 19ª edição, após três anos de interrupção das atividades, em decorrência da pandemia de Covid-19.

Monitoramento hidrológico

Diante de eventos hidrológicos extremos, o SGB teve uma importante atuação e realizou ações de monitoramento especiais acerca da Seca na Região Amazônica e Ciclone Extratropical na Região Sul. Essa atuação contribuiu para subsidiar ações dos governos federal, estaduais e municipais, visando a prevenção ou redução dos impactos provocados pelos desastres. Em junho, foi disponibilizado o relatório: Atlas Pluviométrico do Brasil: Ciclone Extratropical no Rio Grande do Sul. Para fortalecer a atuação nos casos de catástrofes, pesquisadores do SGB participaram de treinamento em Darmstadt, na Alemanha, sobre a ativação e operacionalização do Disaster Charter– plataforma de colaboração mundial, que disponibiliza dados de satélites em situações de emergências. O SGB também avançou em parcerias estratégicas para aprimorar o monitoramento hidrológico. Em março, foi assinado – com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) – Acordo de Cooperação Técnica (ACT). O objetivo dessa cooperação é aperfeiçoar a previsão hidrológica em rios brasileiros, melhorar o transporte hidroviário e impulsionar o desenvolvimento regional. Os estudos iniciaram pelo monitoramento da Bacia do Rio Madeira. Em uma missão inovadora no monitoramento hidrológico via satélite, o SGB realizou a calibração e validação dos dados do SWOT (Surface Water Ocean Topography – que permitirá ao Brasil ter informações hidrológicas de grande parte dos rios menores da bacia Amazônica. A iniciativa começou por meio de parceria com o CNES (Agência Espacial Francesa), IRD (Instituto Nacional da França para Pesquisa e Desenvolvimento) e NASA para troca de conhecimentos. Em 2023, foram realizados campos de coleta de dados para validação e calibração do SWOT na Amazônia, Madagascar e Índia, e a apresentação dos primeiros resultados. Outras entregas na área de Hidrologia Aplicada: •Dois Relatórios Intensidade-Duração Frequência (IDF), com registros contínuos de precipitação; •Trinta e oito Relatórios IDF para desagregação de dados diários; •Um relatório com a regionalização de vazões máximas diárias da Bacia do Rio Mundaú; •Um relatório com consistência de dados pluviométricos diários da Bacia Representativa de Juatuba; •Desenvolvimento de Projeto de Pesquisa Interinstitucional em Modelagem Hidrológica e desenvolvimento de cartilha infantil, em parceria com o SGBeduca; •Elaboração do protótipo do HYBRAS COLAB; •Estruturação do LabHidroS; •Desenvolvimento do HYBRAS V2 com a Universidade Federal de Lavras; •Desenvolvimento de uma base de dados de Ksat em solos brasileiros – grupo de trabalho na Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (GT Propriedades Hidráulicas); •Elaboração de protótipo de novo permeâmetro de tensão de disco para medição de condutividade hidráulica não saturada em baixas tensões; •No âmbito do projeto Estudos Integrados em Bacias Experimentais e Representativas – EIBEX: Mata Atlântica Fluminense, o SGB realizou o primeiro workshop e a entrega do relatório das atividades.
Parcerias com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na área de hidrologia isotópica

O SGB tem fortalecido a parceria com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para o desenvolvimento de projetos na área de hidrologia isotópica. Esses estudos contribuem para compreensão do ciclo da água e tem aplicações na gestão de recursos hídricos, além de gerar informações que auxiliam em estudos sobre mudanças climáticas, ecologia, fauna selvagem e rastreabilidade das fontes de alimentos. Neste ano, pesquisadores articularam e deram encaminhamento para aprovação do primeiro projeto de Cooperação Técnica (2024-2025), que viabilizará a aquisição do primeiro espectrômetro de massa para gases do SGB. Além disso, foi realizada a concepção e aprovação de Projeto de Pesquisa Coordenado com a AIEA, para modelagem matemática do Sistema Aquífero Guarani (SAG), entre 2024 e 2026. Outras iniciativas foram: •Recebimento e início da operação do primeiro analisador isotópico do SBG em Caeté (MG); •Apropriação da técnica e primeiros resultados com RAD7 (único em funcionamento nas Américas) e participação de treinamento na Grécia; Cinco Memoriais Descritivos da Rede Nacional de Monitoramento Isotópico de Chuvas (GNIP); •Um documento de síntese isotópica do SAG; •Um documento de síntese isotópica GNIR (monitoramento isotópico em rios) – Rio Coxim/Taquari; •Um documento de síntese do programa Estudos Hidroquímicos e Isotópicos do SGB para 2023.

Águas subterrâneas

O SGB avançou com iniciativas para gerar informações sobre águas subterrâneas, de modo a contribuir para a gestão desses recursos hídricos, que são uma importante fonte alternativa para abastecimento, especialmente em momentos de estiagem e escassez hídrica. Neste ano, foram lançados os projetos Águas do Centro-Sul de Minas Gerais (PACS) e o Segurança Hídrica no Estado do Maranhão. Também foram entregues os relatórios do Estudo para a Implementação da Gestão Integrada de Águas Superficiais e Subterrâneas na Sub-Bacia do Rio Verde Grande e na Sub-Bacia do Rio Carinhanha. Para a capital do Amazonas, o SGB fez a entrega do Estudo para a Implementação da Gestão Integrada de Águas Superficiais e Subterrâneas em Manaus. O DF recebeu o Mapa Hidrogeológico para Gestão e Proteção de Recursos Hídricos Subterrâneos e, para os estados do Amapá, Sergipe e Acre, o SGB elaborou Mapas Hidrológicos Estaduais. No âmbito do SIAGAS, o SGB incluiu mais de 11,3 mil registros de poços e consistiu 6,8 mil unidades. A plataforma reúne dados sobre os poços para abastecimento de água. E, em um ação inovadora, lançou painel com os mapas hidrogeológicos por município, com os poços existentes cadastrados no SIAGAS. Além disso, assinou acordos de cooperação técnica para alimentar a base de dados. Outras entregas em 2023 foram: •Ampliação da Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas (RIMAS), com as perfurações de poços nos aquíferos Missão Velha (Ceará), Bauru-Caiuá (Mato Grosso do Sul e São Paulo), Parecis (Mato Grosso), Piauí-Poti (Piauí) e Tacaratu/Inajá (Pernambuco); •Instalação das primeiras estações telemétricas em poços de monitoramento das águas subterrâneas instalados na Bacia do Rio Verde Grande (Parceria ANA/SGB); •Elaboração dos Encartes de Hidrogeologia para os Mapas do Projeto Geodiversidade da Região do Seridó, da Região de Lagoa Grande e Petrolina, e da Região Cânions do Sul; •Elaboração de Relatório com nota técnica expandida do Mapa Hidrogeológico de Minas Gerais e Quadrilátero Ferrífero; •Treinamento presencial, em Recife (PE), sobre o Monitoramento das Águas Subterrâneas, com a participação de colaboradores de todas as unidades regionais; •Relatório com estimativas das recargas anuais para todos os aquíferos monitorados.
Núcleo de Comunicação
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