Serviço Geológico do Brasil e ICMBio realizarão estudos de levantamento da Geodiversidade e fomento ao geoturismo em Jericoacoara (CE)

21/06/2023 às 00h00
 | Atualizado em: 01/03/2024
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Em parceria, as instituições devem promover uma série de ações para difundir a Geodiversidade entre os turistas e promover o desenvolvimento sustentável da região por meio do geoturismo

Vila de Jericoacoara em meio a campos de dunas(Foto: SGB)

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) deu mais um passo importante para fortalecer o conhecimento sobre o potencial geoturístico do país: firmou parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para promover o geoturismo no Parque Nacional de Jericoacoara, no Ceará. A parceria entre as instituições foi estabelecida por meio de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que contemplará ações previstas pelo Programa de Fomento ao Geoturismo, desenvolvido pelo SGB para tornar geologia acessível aos turistas e contribuir para a gestão dos parques nacionais e áreas turísticas. O trabalho conjunto do SGB com o ICMBio refletirá em uma série de benefícios socioambientais e econômicos à região por meio do geoturismo, que consiste na utilização dos aspectos geológicos como atrativos aos visitantes e promove a divulgação e a conservação dos pontos de interesse geológico, assegurando o uso racional e sustentável da área visitada. Com base no Programa de Fomento ao Geoturismo, o ACT compreenderá dois importantes estudos já realizados pelo SGB em áreas semelhantes: o Levantamento da Geodiversidade com ênfase nos pontos de interesse geoturísticos e a avaliação geotécnica para identificação e classificação dos riscos geológicos desses locais.
Assista à viderreoportagem sobre geoturismo e o trabalho do SGB na área

“Busca-se desenvolver um turismo seguro e enriquecer a experiência dos turistas por meio de informações geocientíficas decodificadas, com iniciativas voltadas para a interpretação ambiental e difusão do conhecimento científico. Este é o primeiro ACT firmado no âmbito do Programa, que já vem desenvolvendo ações também no Geoparque Cachoeira do Amazonas e nos parques nacionais da Serra da Capivara (PI) e Serra da Canastra (MG)”, explica o geólogo Diogo Rodrigues, chefe do Departamento de Gestão Territorial (DEGET) da Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial (DHT), área do SGB responsável pela idealização do Programa e pela consolidação do ACT com o ICMBio. O estudo é realizado no âmbito da Divisão de Gestão Territorial (DIGATE).
Promontório de Jericoacoara(Foto: SGB)

A partir dos estudos, estão previstas ações conjuntas para incorporar as informações geocientíficas nas atividades do Parque Nacional de Jericoacoara, a partir de treinamentos específicos para guias e condutores turísticos e oficinas para visitantes, por exemplo. A proposta prevê a elaboração de guias virtuais e placas indicativas em mirantes, trilhas, cachoeiras, cavernas para disponibilizar a informação ao visitante. Desse modo, pretende-se levar ao público, em linguagem simples e acessível, a compreensão da história geológica por trás das formações rochosas daquela paisagem. Com este trabalho, o SGB fortalece a sua missão de gerar e disseminar o conhecimento geocientífico, beneficiando também a região ao criar oportunidades para se explorar o potencial geoturístico de forma sustentável, inclusive com geração de emprego e renda. Ainda no contexto socioambiental, as ações desenvolvidas por meio do ACT, seguindo a base do Programa de Fomento ao Geoturismo, reiteram o compromisso do SGB com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, a qual contém o conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Organizações das Nações Unidas (ONU). As ações que englobam o Programa atendem a 12 dos 17 ODS da ONU, sendo eles: ODS 01 - erradicação da pobreza, ODS 02 - fome zero e agricultura sustentável, ODS 03 - saúde e bem-estar; ODS 06 - água potável e saneamento; ODS 07 - energia limpa e acessível; ODS 08 - trabalho decente e crescimento econômico; ODS 09 - indústria, inovação e infraestrutura; ODS 11 - cidades e comunidades sustentáveis; ODS 12 - consumo e produção responsáveis; ODS 13 - ação contra a mudança global do clima; ODS 14 - vida na água; ODS 15 - vida terrestre.
Saiba mais:
>>Programa do SGB incentiva geoturismo em parques nacionais e áreas turísticas
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Com 8.416,00 hectares, o Parque Nacional de Jericoacoara foi criado em fevereiro de 2002 em uma Área de Proteção Ambiental estabelecida entre os municípios de Jijoca de Jericoacoara e Cruz. Administrado pelo ICMBio, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Parque foi criado para preservar amostras dos ecossistemas costeiros, assegurar a preservação de seus recursos naturais, possibilitando a realização de pesquisa científica e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. Entre os atrativos naturais, destacam-se Barra do Rio Guriú, Lagoa Azul, Lagoa do Paraíso, Dunas e Lagoas, Mangue Seco, Nova Tatajuba, Praia da Malhada e Praia do Preá. No contexto da formação geológica, o grande destaque é a Pedra Furada, que é considerada o ícone de Jericoacoara. O geógrafo e geomorfólogo Marcelo Dantas, que é assistente do DEGET, descreve Jericoacoara como um dos lugares com “potencial turístico extraordinário”.
Pedra Furada (Foto: SGB)

“Ali temos um geossítio, considerado de relevância internacional, que é a Pedra Furada – um afloramento de quartzito na beira da linha da costa que tem um arco. É uma das raras ocorrências no Brasil. A melhor forma de desenvolver determinadas regiões é por meio do turismo. Então, essa iniciativa tem essa conotação social e econômica para o desenvolvimento local sustentável”, cita o profissional. Quanto à taxa anual de visitantes, a escolha pelo destino como opção de lazer está entre as principais. Segundo dados do ICMBio, o Parque foi a terceira unidade de conservação mais visitada em 2021, quando recebeu 1.669.277 turistas, ficando atrás somente do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro - 1.739.666 visitas, e da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, em Santa Catarina, liderando o ranking daquele ano com 7.042.228 visitantes.
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