Estudo publicado na revista Nature Communications com participação do SGB contribui para aprimorar modelos globais de inundação

21/08/2026 às 12h20
 | Atualizado em: 21/08/2026 às 12h21
Ouvir Notícia

Pesquisa internacional, em parceria com as universidades de Oxford e de Loughborough, revela que rios em regiões tropicais transbordam com maior frequência do que o estimado 

Foto: SGB


Brasília (DF) – Um estudo internacional publicado na revista científica Nature Communications, nesta terça-feira (18/08), apresenta novas evidências que podem ajudar a  aprimorar modelos globais de risco de inundações. As pesquisas foram realizadas por especialistas das universidades de Oxford e Loughborough, com participação de pesquisadores de instituições de diferentes países, incluindo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). 

O trabalho contesta uma premissa adotada mundialmente, desde 1950, e demonstra que a frequência de transbordamento dos rios (vazão de calha cheia ou bankfull discharge) varia de forma expressiva segundo o clima da região. Historicamente, os os Modelos Globais de Inundação (GFMs) ) utilizam a chamada "regra dos dois anos" para estimar o limite máximo de água que um rio comporta antes de transbordar, em qualquer lugar do mundo.

O estudo mostra que essa generalização, com base em dados da década de 1950, induz a erros. Em regiões tropicais, como a maior parte do Brasil, os rios atingem a capacidade máxima com uma mediana de 1,5 ano, com registros observados de até 1 ano. Isso faz com que transbordem quase três vezes mais frequentemente do que rios em regiões áridas (onde a mediana é de 4,3 anos), e não no intervalo padrão de 2 anos assumido anteriormente. 

Além disso, modelos globais tendem a subestimar a profundidade e a extensão das inundações nessas regiões, reduzindo a percepção do real impacto das cheias em áreas tropicais.

Estimativas mais precisas da vazão de calha cheia podem contribuir para aprimorar modelos globais de inundação e mapas de risco, especialmente em regiões tropicais, onde uma parcela significativa da população está exposta a esse tipo de evento.


Estimativa das vazões

Para estimar essas vazões no mundo, pesquisadores analisaram dados observacionais e usaram machine learning (IA) em cerca de 2,87 milhões de km de rios, com resolução de aproximadamente 1 km. A metodologia combinou observações, conhecimento hidrológico e aprendizado de máquina para preencher lacunas, especialmente em rios sem monitoramento, e melhorar a representação dos canais nos modelos globais de inundação.

Durante a pesquisa, o pesquisador do SGB Marcus Suassuna contribuiu com dados e aplicação de métodos de estimativas de vazão de calha cheia no país. Essa variável não é medida diretamente nas estações monitoradas pelo SGB, por isso foi estimada a partir de registros de medições de vazão e de dados das seções transversais das estações. 

Os dados históricos disponibilizados pelo Serviço Geológico do Brasil também contribuíram para as estimativas realizadas no território brasileiro, ampliando a representação da América do Sul no modelo global.


Recomendações globais e ciência aberta

A pesquisa recomenda três mudanças para a comunidade global:

  • Desenvolvimento de modelos de inundação que adotem intervalos de recorrência específicos para cada zona climática;
  • Investimentos no monitoramento de bacias tropicais e áridas, frequentemente sub representadas em estudos globais;
  • Reavaliação de mapas de risco baseados na antiga premissa de dois anos.

Todos os dados de vazão (GQBF - Global River Bankfull Discharge) e os códigos desenvolvidos no estudo foram disponibilizados abertamente no repositório Zenodo.

Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil

imprensa@sgb.gov.br  

Outras Notícias

Bacia do rio Paraguai apresenta níveis abaixo da média histórica

Dados sobre o cenário são apresentados no 33º Boletim Semanal de Monitoramento Hidrológico da bacia, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil

20/08/2026

SGB e INPA apresentam avaliações e cenários para a Bacia Amazônica no Alerta de Vazante 2026

Evento técnico em Manaus (AM) trará dados do Sistema de Alerta Hidrológico sobre a evolução da seca nos rios Negro, Solimões, Amazonas e Madeira.

20/08/2026

Rio Negro atinge 25,86 m em Manaus e bacia do Solimões mantém descida dentro da normalidade

O 33º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas indica que o processo de vazante na região amazônica segue dentro da faixa de normalidade na maioria das estações monitoradas.

19/08/2026