Estudo indica que fenômeno de “terras caídas” causou o deslizamento em porto de Manacapuru (AM)

31/10/2024 às 20h06
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Serviço Geológico do Brasil apresentou, nesta quinta-feira (31), o relatório da avaliação técnica pós-desastre

Foto: SGB/Divulgação

Manaus (AM) – O deslizamento de terras na localidade do Porto de Terra Preta, em Manacapuru (AM), foi provocado pelo fenômeno de “terras caídas”. Esse resultado é apresentado em relatório de avaliação técnica pós-desastre do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado nesta quinta-feira (31). O acidente ocorreu no dia 7 de outubro, às margens do Rio Solimões, e deixou duas vítimas fatais. 

Para o trabalho, o SGB vistoriou, entre 8 e 10 de outubro, a área do Porto da Terra Preta ou Porto do Zé Maria, situada ao lado do Terminal Hidroviário de Manacapuru (AM). De acordo com o relatório, foi uma combinação entre a seca extrema que afeta a região, fenômeno de terras caídas e intervenções humanas, provocando fragilidade no solo. 

“Os fatores que levaram à ruptura do terreno foram: localização do porto na margem erosiva, onde o Rio Solimões faz a curva, bem em frente à área de deslizamento; presença de minas d’água na base do talude, saturando o solo; aterro lançado sobre os solos instáveis da margem do Rio Solimões, cuja sobrecarga pode ter contribuído para sua desestabilização, somado à descida rápida (e acima da média) do nível d’água, para o período de vazante recorde”, indica o documento.

Medidas preventivas 

A diretora Alice Castilho enfatizou que o estudo é essencial para informar sobre a ocorrência do fenômeno na região e orientar gestores públicos para ações preventivas: “É necessário que as autoridades façam monitoramento de áreas mapeadas pelo SGB e não permitam a permanência de flutuantes ou embarcações em lugares delimitados como de alto e muito alto risco geológico a movimentos de massa, principalmente durante as secas extremas”. Além disso, é recomendada a retirada das famílias que vivem em áreas de risco já identificadas pelo SGB.

Durante o trabalho, o SGB também observou trincas no chão e degraus de abatimento nas instalações do terminal hidroviário e terminal de embarque flutuante. Diante desse cenário, foi sugerida a vistoria e análise das instalações por equipes de engenheiros especializados.

O relatório completo está disponível aqui.

Os deslizamentos provocados por fenômenos de terras caídas são comuns na região. No Bairro Terra Preta, já ocorreram alguns deslizamentos durante as secas extremas, como em 2010 e em 2023, pelo menos em dois locais diferentes. Em 2010, um dos acidentes, próximo ao Beco do Boto, deixou vítimas fatais. 

Áreas de risco 

O Serviço Geológico do Brasil realiza continuamente, desde 2014, o mapeamento de áreas de risco em todo o país. Os municípios da região amazônica estão entre os atendidos pelos estudos que oferecem informações técnicas para apoiar ações de prevenção de desastres. Nos relatórios, o SGB indica as áreas de risco e a população estimada, que vive nessas localidades. 

No Amazonas, foram identificadas mais de 300 áreas de risco, com mais de 105 mil pessoas expostas a desastres. Confira aqui.

Larissa Souza
Núcleo de Comunicação

Serviço Geológico do Brasil
Ministério de Minas e Energia
Governo Federal
imprensa@sgb.gov.br 

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