Após mínima histórica, Rio Negro apresenta elevações em Manaus (AM)

15/10/2024 às 20h11
 | Atualizado em: 15/10/2024 às 20h26
Ouvir Notícia

Cota chegou a 12,32 m nesta terça-feira (15), de acordo com dados do Serviço Geológico do Brasil

Foto: Carlos Da Matta/SGB

Manaus (AM) – O Rio Negro registrou elevações em Manaus (AM) após chegar à cota mais baixa dos últimos 122 anos. De acordo com dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB), foi observada a marca de 12,32 m, nesta terça-feira (15), na estação do Porto. No sábado (12), o rio atingiu a mínima de 12,26 m, registrada pelo SGB. As análises sobre a situação também foram apresentadas no 43º Boletim Hidrológico da Bacia do Amazonas.

Apesar de favorável, a subida é parte do processo de vazante, conforme esclarece a pesquisadora do sgb Jussara Cury: “O Rio Negro está passando por uma diminuição dessa intensidade de descida, estabilidade e até pequenas elevações, mas ainda não é o final da estiagem. Precisamos de chuvas consistentes e distribuídas tanto na região de cabeceira quanto na parte central da bacia e na parte mais a jusante para a recuperação dos níveis”. 

Comportamento similar foi observado em outras partes da Bacia do Amazonas, como na região do Rio Solimões. Em Tabatinga (AM), o rio apresentou estabilidade e voltou a subir alcançando a cota de 1,71 m, nesta terça-feira (15). Itapéua (AM) também registrou subida e está na marca de -21 cm. No entanto, alguns trechos tiveram novas mínimas após terem estabilizado. Em Fonte Boa (AM), o Solimões apresentou redução, chegando à mínima de 7,14 m. Na estação de Manacapuru (AM), a cidade mais próxima à Manaus, o rio chegou ao recorde de 2,07 m na segunda-feira (14).

O valor da cota abaixo de zero não significa a ausência de água no leito do rio. Esses níveis são definidos com base em medições históricas e considerações locais, sendo que, mesmo quando o rio registra valores negativos, em alguns casos ainda há uma profundidade significativa. 


Bacia do Rio Madeira 

Em Porto Velho (RO), o Rio Madeira, que estava em processo de estabilidade desde o final de setembro, registrou uma nova mínima histórica: 19 cm. A marca foi observada na sexta-feira (11) e, após esse episódio, o rio voltou a subir e chegou a 54 m. Os dados são apresentados no novo boletim de monitoramento hidrológico da bacia, divulgado nesta terça-feira (14) pelo SGB. 

Essa elevação se deve a chuvas que ocorreram na última semana, estimadas em 16 mm ao longo de toda Bacia do Rio Madeira, segundo dados do MERGE/INPE, e impactam o nível do Madeira. “Como resultado da chuva da semana passada, o rio aliviou um pouco a situação e apresentou essa subida, mas em tendência de estabilização. Diante das previsões de chuvas para as próximas semanas, podemos esperar que o rio volte a subir em degraus, ou seja, subirá um pouco e, em seguida, poderá estabilizar. Esse processo será mantido até que aos poucos saia dessa situação de seca extrema”, explica o pesquisador do SGB Marcus Suassuna. Os modelos de previsão indicam chuvas de 26 mm até a próxima semana e mais 35 mm na semana seguinte. 

As análises indicam tendência de recuperação do Madeira a partir da segunda quinzena de outubro. Considerando os níveis dos anos mais críticos da histórica e a velocidade de recuperação nessas condições, é provável que o rio fique abaixo da cota dos 3 m até a primeira quinzena de novembro.

Confira as estações da Bacia do Rio Amazonas que já registram as mínimas históricas neste ano:

Rio Município Cota mínima recorde em 2024 Data da mínima Mínima anterior
Negro Manaus (AM) 12,26 m 12/10/2024 12,70 m (2023)
Solimões

Tabatinga (AM)

-2,54 m 26/09/2024

-86 cm (2010)

Solimões

Fonte Boa (AM)

7,14 m

12/10/2024

8,02 m (2010)

Solimões

Itapéua (AM)

-29 cm

07/10/2024

1,31 m (2010)

Solimões

Manacapuru (AM)

2,07 m

14/10/2024

3,11 m (2023)

Acre

Rio Branco (AC)

1,23 m

21/09/2024

1,24 m (2022)

Purus

Beruri (AM)

2,59 m

13/10/2024

4,07 m (2023)

Madeira

Porto Velho (RO)

19 cm

11/10/2024

1,10 m (2023)

Madeira

Humaitá (AM)

8,04 m

14/10/2024

8,10 m (2023)

Amazonas Careiro da Várzea (AM) 8 cm 06/10/2024 30 cm ( 2023)
Amazonas Itacoatiara (AM) -11 cm 13/10/2024 36 cm (2023)
Amazonas Óbidos (PA) -1,22 m 12/10/2024 -93 cm (2023)
Amazonas Almeirim (PA) 82 cm 12/10/2024 1,95 m (2023)

 

Apoio aos municípios


Além dos Sistemas de Alerta Hidrológico, o SGB disponibiliza aos gestores públicos o Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS). Esse é o principal repositório de dados de poços no Brasil, que pode ser usado para identificar fontes de abastecimento.  O SGB também realiza o mapeamento de áreas de risco geológico, identificando e caracterizando porções do território municipal sujeitas a perdas e danos por eventos de natureza geológica. Esse trabalho é uma importante ferramenta para a tomada de decisões sobre redução de riscos, prevenção de desastres e ordenamento territorial. 

Parceria

O monitoramento dos rios é realizado a partir de estações telemétricas e convencionais, que fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O SGB opera cerca de 80% das estações, gerando informações que apoiam os sistemas de prevenção de desastres, a gestão dos recursos hídricos e pesquisas. As informações coletadas por equipamentos automáticos, ou a partir da observação por réguas linimétricas e pluviômetros, são disponibilizadas na plataforma SACE.

Larissa Souza
Núcleo de Comunicação

Serviço Geológico do Brasil
Ministério de Minas e Energia
Governo Federal
imprensa@sgb.gov.br 

Outras Notícias

SGB e ANP fortalecem diálogo para desenvolvimento de projetos conjuntos

Reunião, realizada nesta quinta-feira (21/05), discutiu parcerias em áreas estratégicas como bacias sedimentares, geotermia, hidrogênio natural e sequestro de carbono

22/05/2026

Edição especial: JGSB lança chamada para artigos sobre Elementos Terras Raras

O objetivo é aumentar o conhecimento sobre ETR sob o aspecto da geologia, recursos minerais e exploração

22/05/2026

Serviço Geológico do Brasil divulga informe técnico sobre ocorrências de terras raras no Cinturão Ribeira

Produto apresenta resultados preliminares de pesquisas realizadas no âmbito do projeto Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil

22/05/2026