Mapeamento do SGB identifica 18 áreas de risco geológico em Tamandaré (PE) e aponta mais de 1,7 mil pessoas expostas

12/06/2026 às 18h13
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Atualização realizada após dez anos amplia o diagnóstico das áreas de risco e fornece subsídios científicos para as ações de prevenção e planejamento urbano no município

 

Foto: Divulgação/SGB


Tamandaré (PE) – O Serviço Geológico do Brasil (SGB) concluiu, no mês de maio, a atualização do mapeamento de áreas de risco geológico do município de Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco. O estudo identificou 18 setores de risco, sendo 15 classificados como de risco alto e três como muito alto. Nas áreas mapeadas, vivem aproximadamente 1,7 mil pessoas distribuídas em 429 domicílios.

As áreas de risco mapeadas estão associadas, principalmente, a processos de inundação, enxurrada, deslizamento e erosão. Os resultados atualizam o levantamento realizado pelo órgão em 2016 e reforçam a importância do monitoramento contínuo e do planejamento territorial para a mitigação (redução) dos impactos socioambientais na região.

A iniciativa segue o planejamento anual do SGB, alinhado ao Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 do Governo Federal. O objetivo é expandir o mapeamento a todo o país, ajudando as prefeituras a tornarem suas cidades mais seguras contra as ameaças hidrometeorológicas e geológicas. Ao longo do período, novas municipalidades em todo o território nacional serão atendidas.


Atualização amplia diagnóstico

O novo levantamento registrou um aumento no número de áreas de risco identificadas em comparação ao estudo realizado há dez anos. Em 2016, o município possuía duas áreas classificadas como de risco alto, abrangendo 30 domicílios e 120 pessoas. Na atualização de 2026, foram identificadas 18 áreas de risco. 

Segundo a pesquisadora em geociências do SGB Rafaelly de Lira, uma das autoras do estudo, o aumento dos números reflete principalmente o aprimoramento do diagnóstico e as transformações ocorridas no território ao longo da última década: “A atualização permitiu um detalhamento maior dos setores já conhecidos, além da incorporação de novas informações obtidas em campo. O crescimento urbano em áreas vulneráveis e a inclusão do histórico de inundações do município contribuíram para ampliar o número de áreas mapeadas e tornar o diagnóstico mais representativo da realidade atual de Tamandaré”, explica no relatório.

 

Foto: Divulgação/SGB


Áreas de maior risco

Os setores classificados como de risco alto estão nas localidades do Engenho Sauezinho, Rua da Coruja, Rua da Adubeira e Rua da Floresta, no bairro Sauezinho; Engenho Coqueiro, Sítio Valmiré, Loteamentos Mirante e Portal do Sol e Pista Nova, no bairro Oitizeiro. Nesses locais predominam riscos associados a inundações, enxurradas e deslizamentos.

Já as áreas classificadas como de risco muito alto estão situadas no Sítio Valmiré, na comunidade popularmente conhecida como Sovaco da Cobra e no Mirante, no bairro Oitizeiro, com predominância de processos relacionados a deslizamentos de encostas.

Além dos setores de alto e muito alto risco, o estudo identificou ainda áreas classificadas como de risco médio que requerem acompanhamento permanente para evitar o agravamento das condições existentes. Entre elas estão a Rua da Igreja de Canoinha (na divisa com Água Preta), o Engenho Cocal Grande, a Rodovia José Múcio Monteiro, a Rua Alto da Bela Vista, no bairro Oitizeiro, e o Centro de Tamandaré.

Principais fatores de risco

A análise técnica aponta que os riscos identificados estão associados à ocupação de áreas impróprias à urbanização, sem planejamento adequado, especialmente encostas e margens de cursos d'água. Entre as situações observadas durante os levantamentos estão edificações próximas a encostas instáveis ou sem drenagem adequada, processos erosivos de grande porte e lançamento inadequado de esgoto diretamente sobre o solo, o que fragiliza o terreno.

Nos setores sujeitos a inundações, a ocupação de margens e planícies de inundação dos rios (áreas naturalmente inundáveis ao redor dos rios), localizados próximos aos engenhos Sauezinho e Coqueiro e aos bairros Sauezinho e Oitizeiro figuram entre os principais fatores de risco.

 

Foto: Divulgação/SGB


Apoio à gestão municipal

Os resultados do estudo fornecem informações técnicas que podem subsidiar ações da Defesa Civil e do poder público municipal voltadas à prevenção de desastres, ao ordenamento territorial e à proteção da população. Entre as medidas recomendadas pelos pesquisadores estão a implantação de sistemas de monitoramento e alerta, a manutenção periódica dos canais de drenagem, a ampliação dos serviços de coleta de resíduos sólidos, melhorias no saneamento básico e o fortalecimento das políticas de uso e ocupação do solo.

“O mapeamento permite identificar com precisão os locais com maior propensão a desastres e orientar a priorização de ações preventivas. Essas informações são fundamentais para apoiar a tomada de decisão dos gestores públicos e contribuir para a redução dos impactos causados por eventos adversos”, destaca no relatório o pesquisador Bruno Elldorf.

Panorama do estado de Pernambuco

Pernambuco possui 944 áreas de risco geológico mapeadas pelo SGB, das quais 288 são classificadas como de risco muito alto e 656 como de risco alto. Nesses setores vivem aproximadamente 212,8 mil pessoas distribuídas em mais de 103 mil domicílios, considerando a atualização realizada com base nos dados do Censo Demográfico 2022.

Com 18 áreas de risco identificadas, Tamandaré ocupa a 11ª posição entre os municípios pernambucanos com maior número de setores mapeados pelo SGB. Os três municípios com maior quantidade de áreas de risco no estado, identificadas pelo órgão, são Jaboatão dos Guararapes, Moreno e Igarassu.
 

Foto: Divulgação/SGB


 

Tariana Fernandes
Assessoria de Comunicação

Serviço Geológico do Brasil
Ministério de Minas e Energia
Governo Federal
imprensa@sgb.gov.br

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