Mudanças climáticas e impactos da ação humana estão entre os temas apresentados no Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos

Quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Mudanças climáticas e impactos da ação humana estão entre os temas apresentados no Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos

No terceiro dia de atividades, nesta terça-feira (21), pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil apresentaram trabalhos científicos que impactam a sociedade

Pesquisadores do SGB reunidos no estande do SGB no Simpósio (Foto: SGB/Divulgação)
No 25º Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, em Aracaju (SE), pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) compartilham informações geocientíficas essenciais para gestão e uso sustentável das águas. Nesta terça-feira (21), no terceiro dia de atividades, foram realizados debates e apresentados trabalhos que abordaram assuntos como mudanças climáticas e impactos da ação humana.

O pesquisador Marcus Suassuna participou de mesa-redonda que teve o tema: “Climate Variability and Change on Timescales of Seasons to Millennia/Variabilidade e Mudança Climática em Escalas de Estações a Milênios. Na ocasião, ele apresentou trabalhos e diagnósticos sobre mudanças que têm sido observadas em eventos extremos, como secas e cheias. Além disso, falou sobre as previsões hidrometeorológicas em diferentes escalas de tempo e os seus desafios. Suassuna fez ainda apresentação, no estande do SGB, sobre “Seca na Região Amazônica de 2023".

Também foi apresentado, pela pesquisadora Janaína Gomes Pires da Silva, trabalho científico com o tema: “Eventos Climáticos Extremos e os Impactos na Qualidade de Água – Estudo de Caso: Tragédia no Morro da Oficina, em Petrópolis, Rio de Janeiro (RJ)”.


A pesquisadora Camila Dalla Porta Mattiuzi levou para debate um trabalho com o tema: “Ocorrência de Inundação e Relação com Fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS) na Bacia do Rio Uruguai”. No estudo foram analisadas as ocorrências de inundações durante as diferentes fases e intensidades do fenômeno ENOS na Bacia do Rio Uruguai, na qual o SGB opera o Sistema de Alerta e Previsão Hidrológica SAH-Uruguai.

“Os resultados apontam que os eventos de inundação podem ocorrer em qualquer mês do ano, porém estão mais concentrados entre abril e dezembro; além disso, quase metade dos eventos ocorreu durante o El Niño, e os mais extremos ocorreram predominantemente nas fases El Niño e Neutralidade”, explicou a pesquisadora.

Mattiuzi ressaltou que é essencial debater assuntos relacionados aos processos hidrológicos, como inundações, diante do impacto social e econômico: “É importante identificar os fatores que influenciam sua ocorrência, para podermos aprimorar a operação do Sistema de Alerta Hidrológico”

Na sessão sobre desastres naturais, a chefe do Departamento de Hidrologia (DEHID), Andrea Germano, atuou na coordenação técnica. Ao longo do dia, no estande do SGB, Germano também recebeu profissionais do setor para diálogos sobre parcerias. Uma das visitas foi da presidente da Agência Peixe Vivo, Elba Alves Silva.

Presidente da Agência Peixe Vivo, Elba Alves Silva e a chefe do Departamento de Hidrologia, Andrea Germano (Foto: SGB/Divulgação)

Confira aqui todas as fotos do evento.

Impactos da ação humana nos recursos hídricos

Em sessão especial, em que foram apresentados estudos sobre mudanças nos padrões hidrológicos e redução da vazão de bacias brasileiras, a pesquisadora Denise Christina de Rezende falou sobre a “Caracterização Física da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte Para o Estudo das Vazões Mínimas”. A bacia estudada é onde se localiza Goiânia, a capital do estado de Goiás. “É um importante levantamento dos dados hidrológicos e socioeconômicos da bacia, porque tenta explicar as alterações no comportamento das vazões mínimas, ao longo dos anos”.


O pesquisador João Hipólito Paiva de Britto Salgueiro apresentou palestra com o tema: “O Avanço da Urbanização na Cidade de São Luís (MA) e a Mudança no Clima Observada nas Últimas Décadas”.

Segundo ele, os estudos revelaram que a ação humana tem gerado impactos graves: “A ciência mostrou aqui que houve mudança no clima da cidade de São Luís, intensificada por conta das ações antrópicas durante a urbanização. A alteração no ciclo hidrológico causou a redução das chuvas e o aumento das temperaturas, que são fatores responsáveis pela progressiva deficiência observada nos setores estruturais”.


Salgueiro ressalta ser fundamental esse debate para que sejam encontradas soluções, de modo a controlar os impactos de mudanças climáticas – aceleradas pelo homem – e mitigar seus efeitos: “Os setores estruturais deverão ser planejados simultaneamente, em consonância com o desenvolvimento municipal. O desmatamento deve ser controlado, e a ocupação do solo urbano e rural muito bem planejada. Estudos e políticas públicas que envolvam as parcelas antrópicas devem implicar as legislações normativas na condução das execuções, em um convívio direto e inevitável com as modificações climáticas, que já formam uma realidade, e não se devem deixar ser intensificadas, como no caso de São Luís”.

O Simpósio, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRHIDRO), com apoio institucional do SGB, segue até sexta-feira (24).

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