Viagem ao Himalaia traz conhecimento sobre colisões continentais

04/07/2023 às 00h00
 | Atualizado em: 01/03/2024
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Região é o melhor lugar para investigar os processos tectônicos associados à formação de montanhas



Entre maio e junho deste ano, o pesquisador do Centro de Geociências Aplicadas do Serviço Geológico do Brasil (CGA/SGB), Carlos Eduardo Ganade, participou de uma viagem às regiões de Zanskar e Ladaque, na Índia, rumo ao Himalaia, junto com pesquisadores da Universidade de Monash (Austrália), pelo projeto “Quando Múltiplos Continentes Colidem”, financiado pelo Instituto Serrapilheira.
Foram cerca de 20 dias de trekking, a uma altitude entre 4.000 e 5.000 metros, percorrendo aproximadamente 250 km, com temperaturas entre 10oC e -10oC.
“A cadeia de montanhas do Himalaia derivadas da colisão continental entre a Índia e a Ásia, ocorrida há 50 milhões de anos, representa o melhor local para investigar processos tectônicos associados à formação de montanhas. Como tectonista, é um privilégio poder trabalhar aqui”, disse Ganade, coordenador do projeto.
“Entender como zonas de colisão continental se desenvolvem é como uma formiga escalando um acidente de carro. “Você precisa descobrir como o acidente de carro aconteceu, a que velocidade os carros estavam, em que ângulo eles se impactaram”, explica Ganade. “Você é apenas uma pequena formiga vagando por esse enorme caos”, acrescenta.
Pela segunda vez no Himalaia, o pesquisador falou que, na primeira expedição, teve a oportunidade de investigar a região do Main Central Thrust, no Siquim, e West Bengal, até a divisa com o Butão. Nesta ocasião, o grupo de pesquisa descobriu que o fluxo tectônico no Main Central Thrust, em Siquim, foi desviado pela presença de estruturas dômicas mais antigas, inclusive publicado em artigo na revista Tectonics.
A segunda viagem teve, como objetivo, entender o papel da tectônica distensiva dentro do regime compressivo do Orógeno Himalaiano. Para isso, as observações de campo foram realizadas nas proximidades do South Tibetan Detachment (zona de cisalhamento normal), que divide as rochas de alto grau do High Himalayan Crystaline a sul, das rochas de mais baixo grau do Tethyan Himalayan da paleomargem do continente Indiano, a norte.
“Para o SGB, essa iniciativa é muito importante. Zonas de colisão continental representam o último passo na criação de massas continentais maiores e deixam cicatrizes importantes, não só para o entendimento da configuração geológica de uma região, mas também na acumulação de metais”, informou Carlos Eduardo.
Ele destacou que o Brasil, como um país de dimensões continentais e uma história geológica, com 3,7 bilhões de anos até o presente, registra uma gama de ambientes geológicos que podem ser favoráveis ou não para a acumulação de recursos. “Saber distinguir regiões que representam verdadeiras zonas colisionais de zonas que evoluíram a partir de outros processos geológicos deve ser um pilar do SGB e pode guiar programas exploratórios de primeira ordem”, informou.
Adicionalmente, Ganade ressalta a importância de se entender colisões continentais antigas utilizando as observações realizadas no Himalaia. Ele investiga o papel das colisões continentais que formaram o supercontinente Gondwana há 600 milhões de anos e ressalta que, “devido ao seu tamanho e magnitude, colisões continentais não têm somente efeitos locais, mas também globais, como a influência das montanhas no clima e na evolução da vida mais antiga”.
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