SGB identifica mais de mil moradores em áreas de risco no município turístico de Cairu (BA)

09/02/2023 às 00h00
 | Atualizado em: 01/03/2024
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Setorização de Áreas de Risco Geológico indica setores sujeitos a inundações, deslizamentos e queda de blocos, inclusive em pontos turísticos como Morro de São Paulo
Visão panorâmica de parte do distrito de Morro de São Paulo, evidenciando relevo escarpado, cicatrizes de deslizamento e falésias
O município de Cairu (BA), formado por 26 ilhas, tem 1.092 pessoas em áreas de risco, conforme revela a Setorização de Áreas de Risco Geológico, elaborada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM). De acordo com o documento, foram mapeadas nove áreas sujeitas a danos por inundações, deslizamentos e queda de blocos. Nessas localidades estão 273 moradias. O relatório foi publicado em janeiro no Repositório Institucional de Geociências (Rigeo).
Entre as ilhas que fazem parte do município, destacam-se as de Cairu, Boipeba e Tinharé, onde está localizado o distrito de Morro de São Paulo. Nesse último, foram identificadas quatro áreas com risco de deslizamento de terra na Praia Porto de Cima, na Segunda Praia, no Morro do Farol e no Bairro Nossa Senhora da Luz. Por ser uma região turística, o número de pessoas expostas aos riscos é altamente variável, alerta o relatório.
As outras duas áreas sujeitas a risco de deslizamentos estão nos distritos de Torrinhas e São Sebastião (Cova da Onça), na Ilha de Boipeba. Nos locais indicados, residências foram construídas próximas à base de encostas íngremes ou taludes de corte verticalizados. Diante da ausência de contenção ou elementos de drenagem pluvial, os moradores e os imóveis estão expostos em caso de deslizamentos.
De acordo com a Setorização, outras três áreas têm risco de inundação, principalmente devido à ocupação de margens de rios e córregos. Dos setores mapeados, três estão no distrito de Gamboa, na Ilha de Tinharé, e o outro no centro de Cairu.
No relatório, o SGB apresenta, ainda, algumas áreas de risco médio no município e recomenda o monitoramento para que a situação não evolua para “risco alto” ou “risco muito alto”. Além disso, sugere a criação de uma Defesa Civil “atuante e bem equipada, com estrutura adequada e técnicos qualificados”, considerando que se observou não haver esse órgão no município.
No documento, há orientações específicas sobre as falésias de Morro de São Paulo; áreas ambientalmente sensíveis e naturalmente instáveis do ponto de vista geológico-geotécnico. Os geólogos do SGB recomendam que o acesso a essas áreas seja evitado ou, em último caso, controlado para que turistas não permaneçam nas proximidades ou no topo das falésias. O uso para realização de atividades turísticas ou construção de imóveis também é desaconselhado.
O relatório está disponível no endereço:
https://rigeo.cprm.gov.br/handle/doc/23399

Na Bahia, mais de 230 mil pessoas moram em áreas de risco. Foram mapeados pelo SGB 773 setores, em 90 municípios, sujeitos a perdas ou danos relacionados, principalmente deslizamentos, inundações e queda de blocos. O painel do SGB, com os dados sobre risco geológico, está disponível aqui .

Núcleo de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil Ministério de Minas e Energia imprensa@sgb.gov.br

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