SGB atualiza mapeamentos de áreas de risco geológico em três municípios de Minas Gerais
SGB atualiza mapeamentos de áreas de risco geológico em três municípios de Minas Gerais
Levantamentos realizados em Carangola, Padre Paraíso e Rubim identificaram áreas com risco de deslizamentos, inundações, erosão e outros processos geológicos e hidrológicos
Belo Horizonte (MG) – O Serviço Geológico do Brasil (SGB) realizou o mapeamento de áreas de risco geológico nos municípios de Carangola, Padre Paraíso e Rubim, em Minas Gerais. Os trabalhos de campo permitiram avaliar as condições do meio físico e da ocupação urbana, identificando locais com risco de deslizamentos, inundações, erosão, enxurradas, alagamentos, dentre outros riscos para a população. As informações produzidas constituem subsídio para o planejamento territorial, a atuação da Defesa Civil e a adoção de medidas de prevenção, monitoramento e redução de riscos.
Carangola
Em Carangola, o mapeamento realizado em junho deste ano atualiza o último estudo que era de 2013. O levantamento apontou 15 setores de risco geológico, sendo nove classificados como risco alto e seis como risco muito alto. Os processos observados incluem deslizamentos, inundação, enchente, alagamento, queda de blocos e lascas e erosão laminar.
Os nove setores de risco alto abrangem quase 2.400 domicílios e uma população estimada em cerca de 9.500 pessoas. Eles estão distribuídos pelos bairros Horto, Aeroporto, Eldorado, Ouro Verde, Centro e Chevrand, além dos distritos de São Manuel do Boi, São Manuel do Carangola e Alvorada.
As seis áreas classificadas como risco muito alto compreendem mais de 900 domicílios e cerca de 3.600 pessoas, nos bairros Triângulo, Panorama de Baixo, Santa Maria, Chevrand e Lacerdina. Nesses locais, destacam-se ocorrências relacionadas a queda de blocos, deslizamentos, queda de lascas, inundação, enchente e alagamento.
Em comparação com o levantamento realizado em 2013, houve aumento no número de áreas de risco. A mudança está relacionada, entre outros fatores, à metodologia adotada na atualização, que permitiu maior detalhamento e redefinição dos limites dos setores, além da expansão urbana e da ocupação de novas áreas, especialmente encostas e fundos de vale. O relevo acidentado, as elevadas declividades e os cortes realizados em taludes para implantação de moradias e vias também contribuem para a configuração dos cenários de risco. As cheias do rio Carangola, do ribeirão Papagaio, do córrego Santo Antônio e do córrego da Pedra representam outro fator relevante, atingindo periodicamente áreas urbanizadas.
Padre Paraíso
Em Padre Paraíso, os trabalhos realizados em agosto de 2026 atualizam o último estudo, de 2014, e resultaram na identificação de 22 setores, sendo 17 classificados como risco alto e cinco como risco muito alto. Os principais processos associados são inundação, deslizamento, enxurrada, erosão e queda de blocos.
As áreas de risco alto abrangem mais de 800 domicílios e aproximadamente 3.400 pessoas e estão distribuídas pelos bairros Novo Horizonte, João de Lino, Caldeirões, Vila Vieira, Vila Oeste, Pantanal, Bom Jesus, Coronel Olinto Vieira, Bela Vista e Centro.
Os cinco setores de risco muito alto envolvem quase 800 domicílios e quase 3.200 pessoas, nos bairros Vila Vieira, Coronel Olinto e Bela Vista. Neles, predominam condições associadas a deslizamentos e erosão.
Em relação ao mapeamento de 2014, houve aumento no número de áreas classificadas como de risco. Um dos principais fatores é o avanço da ocupação urbana sobre encostas íngremes, acompanhado de intervenções que alteram as condições naturais do terreno. Cortes e aterros, edificações próximas a taludes, deficiência na drenagem e lançamento de águas servidas podem favorecer a instabilidade das encostas. Nas áreas sujeitas a processos hidrológicos, a ocupação próxima a cursos d’água e locais naturalmente suscetíveis à inundação amplia a exposição de moradores e edificações.
Rubim
Em Rubim, o mapeamento realizado no último mês de agosto identificou seis setores de risco geológico, todos classificados como de risco alto. Os processos associados são inundação, deslizamento e alagamento.
Os locais mapeados abrangem mais de 200 domicílios e uma população estimada em quase 900 pessoas, nos bairros Itapiru, Ipê, Centro, Guaraná e Baixinha.
A análise mostrou que os cenários observados resultam principalmente da ocupação de áreas naturalmente suscetíveis, combinada às características do relevo e às intervenções realizadas no território. Nas encostas, cortes, aterros e alterações na geometria dos terrenos podem comprometer a estabilidade, especialmente durante períodos de chuvas. Já nas áreas sujeitas a processos hídricos, a ocupação de locais próximos a cursos d’água, planícies de inundação e fundos de vale aumenta a exposição da população.
Mapeamento que apoia ações de prevenção
Os mapeamentos produzidos pelo SGB oferecem uma base técnica para orientar o ordenamento territorial e apoiar ações municipais de prevenção e gerenciamento de riscos. Entre as medidas recomendadas estão o controle da ocupação de áreas de risco, a fiscalização de cortes e aterros, a melhoria da drenagem urbana, o monitoramento de encostas e cursos d’água e o fortalecimento das ações de preparação da população.
A classificação apresentada corresponde às condições observadas durante os levantamentos e pode sofrer alterações diante de novas intervenções, expansão urbana, eventos extremos ou mudanças nas condições de drenagem. Por essa razão, o acompanhamento contínuo e a atualização periódica das informações são fundamentais.
A Cartografia de Risco Geológico tem caráter preventivo e de planejamento e não substitui estudos geológico-geotécnicos, hidrológicos ou projetos de engenharia necessários para intervenções específicas. A integração dessas informações às políticas de planejamento urbano e Defesa Civil contribui para reduzir a exposição da população e fortalecer a capacidade dos municípios de prevenção e resposta a desastres.
Os relatórios completos podem ser encontrados aqui: Carangola, Padre Paraíso e Rubim.
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil
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