SGB atualiza mapeamentos de áreas de risco geológico em três municípios de Minas Gerais

09/10/2026 às 17h18
 | Atualizado em: 09/10/2026 às 17h49
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Levantamentos realizados em Carangola, Padre Paraíso e Rubim identificaram áreas com risco de deslizamentos, inundações, erosão e outros processos geológicos e hidrológicos

Foto: Arquivo SGB


 

Belo Horizonte (MG) – O Serviço Geológico do Brasil (SGB) realizou o mapeamento de áreas de risco geológico nos municípios de Carangola, Padre Paraíso e Rubim, em Minas Gerais. Os trabalhos de campo permitiram avaliar as condições do meio físico e da ocupação urbana, identificando locais com risco de deslizamentos, inundações, erosão, enxurradas, alagamentos, dentre outros riscos para a população. As informações produzidas constituem subsídio para o planejamento territorial, a atuação da Defesa Civil e a adoção de medidas de prevenção, monitoramento e redução de riscos.

Carangola
Em Carangola, o mapeamento realizado em junho deste ano atualiza o último estudo que era de 2013. O levantamento apontou 15 setores de risco geológico, sendo nove classificados como risco alto e seis como risco muito alto. Os processos observados incluem deslizamentos, inundação, enchente, alagamento, queda de blocos e lascas e erosão laminar.

Os nove setores de risco alto abrangem quase 2.400 domicílios e uma população estimada em cerca de 9.500 pessoas. Eles estão distribuídos pelos bairros Horto, Aeroporto, Eldorado, Ouro Verde, Centro e Chevrand, além dos distritos de São Manuel do Boi, São Manuel do Carangola e Alvorada.

As seis áreas classificadas como risco muito alto compreendem mais de 900 domicílios e cerca de 3.600 pessoas, nos bairros Triângulo, Panorama de Baixo, Santa Maria, Chevrand e Lacerdina. Nesses locais, destacam-se ocorrências relacionadas a queda de blocos, deslizamentos, queda de lascas, inundação, enchente e alagamento.

Em comparação com o levantamento realizado em 2013, houve aumento no número de áreas de risco. A mudança está relacionada, entre outros fatores, à metodologia adotada na atualização, que permitiu maior detalhamento e redefinição dos limites dos setores, além da expansão urbana e da ocupação de novas áreas, especialmente encostas e fundos de vale. O relevo acidentado, as elevadas declividades e os cortes realizados em taludes para implantação de moradias e vias também contribuem para a configuração dos cenários de risco. As cheias do rio Carangola, do ribeirão Papagaio, do córrego Santo Antônio e do córrego da Pedra representam outro fator relevante, atingindo periodicamente áreas urbanizadas.

Padre Paraíso

Em Padre Paraíso, os trabalhos realizados em agosto de 2026 atualizam o último estudo, de 2014, e resultaram na identificação de 22 setores, sendo 17 classificados como risco alto e cinco como risco muito alto. Os principais processos associados são inundação, deslizamento, enxurrada, erosão e queda de blocos.
As áreas de risco alto abrangem mais de 800 domicílios e aproximadamente 3.400 pessoas e estão distribuídas pelos bairros Novo Horizonte, João de Lino, Caldeirões, Vila Vieira, Vila Oeste, Pantanal, Bom Jesus, Coronel Olinto Vieira, Bela Vista e Centro.

Os cinco setores de risco muito alto envolvem quase 800 domicílios e quase 3.200 pessoas, nos bairros Vila Vieira, Coronel Olinto e Bela Vista. Neles, predominam condições associadas a deslizamentos e erosão.
Em relação ao mapeamento de 2014, houve aumento no número de áreas classificadas como de risco. Um dos principais fatores é o avanço da ocupação urbana sobre encostas íngremes, acompanhado de intervenções que alteram as condições naturais do terreno. Cortes e aterros, edificações próximas a taludes, deficiência na drenagem e lançamento de águas servidas podem favorecer a instabilidade das encostas. Nas áreas sujeitas a processos hidrológicos, a ocupação próxima a cursos d’água e locais naturalmente suscetíveis à inundação amplia a exposição de moradores e edificações.

Foto: Arquivo SGB


 

Rubim

Em Rubim, o mapeamento realizado no último mês de agosto identificou seis setores de risco geológico, todos classificados como de risco alto. Os processos associados são inundação, deslizamento e alagamento.
Os locais mapeados abrangem mais de 200 domicílios e uma população estimada em quase 900 pessoas, nos bairros Itapiru, Ipê, Centro, Guaraná e Baixinha.

A análise mostrou que os cenários observados resultam principalmente da ocupação de áreas naturalmente suscetíveis, combinada às características do relevo e às intervenções realizadas no território. Nas encostas, cortes, aterros e alterações na geometria dos terrenos podem comprometer a estabilidade, especialmente durante períodos de chuvas. Já nas áreas sujeitas a processos hídricos, a ocupação de locais próximos a cursos d’água, planícies de inundação e fundos de vale aumenta a exposição da população.

Foto: Arquivo SGB


Mapeamento que apoia ações de prevenção

Os mapeamentos produzidos pelo SGB oferecem uma base técnica para orientar o ordenamento territorial e apoiar ações municipais de prevenção e gerenciamento de riscos. Entre as medidas recomendadas estão o controle da ocupação de áreas de risco, a fiscalização de cortes e aterros, a melhoria da drenagem urbana, o monitoramento de encostas e cursos d’água e o fortalecimento das ações de preparação da população.

A classificação apresentada corresponde às condições observadas durante os levantamentos e pode sofrer alterações diante de novas intervenções, expansão urbana, eventos extremos ou mudanças nas condições de drenagem. Por essa razão, o acompanhamento contínuo e a atualização periódica das informações são fundamentais.

A Cartografia de Risco Geológico tem caráter preventivo e de planejamento e não substitui estudos geológico-geotécnicos, hidrológicos ou projetos de engenharia necessários para intervenções específicas. A integração dessas informações às políticas de planejamento urbano e Defesa Civil contribui para reduzir a exposição da população e fortalecer a capacidade dos municípios de prevenção e resposta a desastres.

Os relatórios completos podem ser encontrados aqui: Carangola, Padre Paraíso e Rubim.

Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil
imprensa@sgb.gov.br 
 

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