Rio Paraguai registra o maior nível após quatro anos de seca

07/07/2023 às 00h00
 | Atualizado em: 01/03/2024
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Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia Hidrográfica do Rio Paraguai, operado pelo Serviço Geológico do Brasil, indica que nível da água atingiu 4,15 metros na estação de Ladário
 Rio Paraguai(Foto: André Dib/WWF Brasil/Divulgação

O Rio Paraguai, no Pantanal, registrou nesta sexta-feira (7) o maior nível observado na estação fluviométrica de Ladário (MS) desde 2019: 4,15 metros. Os dados são do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia Hidrográfica do Rio Paraguai (SAH Paraguai) e constam em boletim divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), disponível aqui. A partir das próximas semanas, a tendência será de estabilidade e descida dos níveis, de acordo com as previsões para os próximos 28 dias. “Hoje, após quatro anos, alcançamos o maior nível e podemos considerar que ocorre uma cheia pequena”, explica o pesquisador em geociências do SGB Marcelo Parente Henriques. Segundo a classificação do Relatório Final do Programa de Ações Estratégicas para o Gerenciamento Integrado do Pantanal e da Bacia do Alto Paraguai (ANA/GEF/PNUMA/OEA), para que seja considerada "cheia", o nível do rio na estação de Ladário precisa atingir no mínimo 4 metros. Com variação até 5 m é considerada “cheia pequena”. Entre 5 m e 6 m, “cheia normal” e, a partir desse nível, “cheia grande”. A maior cheia aconteceu em 1988, quando o nível alcançou 6,64 m. A estação fluviométrica de Ladário é uma das referências para acompanhar o comportamento do nível do Rio Paraguai, por estar na região central do Pantanal. Desde 1900 a estação é monitorada, e são gerados dados.
Seca no Pantanal

Desde 2019, o Rio Paraguai reflete os impactos da estiagem na região. Nesse ano, o nível de água alcançou, no máximo, 3,92 m. Em 2020, reduziu ainda mais e atingiu 2,06 m e, em 2021, registrou um dos mais baixos níveis de cheia da série histórica: apenas 1,84 m. Desde o início da década de 1970, os níveis não ficavam tão baixos durante a cheia. Já em 2022, a cota máxima foi de 2,64 m. Os níveis baixos de água do Rio Paraguai afetam todo o ecossistema pantaneiro, que é caracterizado por ser uma planície de inundação. Considerado a “calha d’água da bacia hidrográfica”, o rio acumula água e, quando cheio, transborda, gerando o pulso de inundação, o que contribui para o equilíbrio ecológico do bioma. “Por quatro anos seguidos, não houve transbordamento da calha do Rio Paraguai e os terrenos vizinhos ao seu curso não foram inundandos. Esse processo é importante para a biodiversidade e funcionamento do bioma, que precisa da inundação para o desenvolvimento da flora e para a sobrevivência da fauna”, relatou Henriques. Com a chegada do período da seca, que atinge o pico normalmente em agosto, a situação se agravou e favoreceu impactos de queimadas na região. O SAH Pantanal registrou em 2021, na estação de Ladário (MS), a segunda menor mínima da série histórica: -0,60 m. Em 1964, o rio atingiu -0,61 m. A dinâmica de estiagem e cheia faz parte do ecossistema do Pantanal. No entanto, entre 2019 e 2022, o bioma esteve exposto a um evento de seca extrema. “Foi tão pouca chuva ao longo desses anos, com índices pluviométricos tão baixos, que seria como se ao longo deste período um ano hidrológico inteiro não acontecesse. Isso pode explicar, em parte, o fenômeno de estiagem intensa que ocorreu”, afirmou o pesquisador Henriques.

 Área inundada em 1988 com nível d’água acima de 6 metros no Rio Paraguai, registrados na estação fluviométrica de Ladário (Fonte: Imagens LANDSAT obtidas junto ao INPE em http://www.dgi.inpe.br/CDSR com uso do índice NDWI)
 Área sem ocorrência de inundação em 2020 quando o Rio Paraguai atingiu valores de nível d’água acima de 2 metros, registrados na estação fluviométrica de Ladário(Fonte: Imagens LANDSAT obtidas junto ao INPE em http://www.dgi.inpe.br/CDSR com uso do índice NDWI)

SAH Pantanal

O SGB opera o Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Paraguai desde 1994. As previsões são geradas a partir de modelos hidrológicos (que podem apresentar incertezas) tendo como base eventos ocorridos, como contou o pesquisador: “Analisamos o comportamento do nível do rio nas estações de monitoramento, considerando as séries históricas de dados, dados de chuva registrados em pluviômetros e informações de monitoramento de chuva por sensoriamento remoto da região, para se ter uma expectativa do comportamento do nível d’água do rio”. As previsões são essenciais para orientar as ações públicas, além de contribuírem para o setor produtivo. Com as estimativas sobre o nível do Rio Paraguai, produtores rurais podem realizar o manejo do gado, por exemplo. A pecuária bovina é uma das principais atividades do estado. Segundo Henriques, “com as informações, é possível se preparar, saber o que fazer em relação à criação de gado e para onde direcionar os animais, a fim de evitar que estejam em regiões que serão inundadas”. Além disso, as previsões auxiliam na navegação, visto que o rio é uma hidrovia importante para o escoamento de produção, inclusive de outros países, como Paraguai e Bolívia. “Os produtores precisam saber se os níveis estão compatíveis com a navegação e traçar alternativas”, pontua Henriques. Todas as informações sobre a operação do SAH e boletins de alertas estão disponíveis na plataforma do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE). *As informações sobre a classificação do nível das cheias no Rio Paraguai foram retiradas de documento publicado, em 2004, pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e Organização dos Estados Americanos (OEA).

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