Mapeamento identifica 167 áreas de risco em Teresina e aponta medidas para prevenção de desastres

27/03/2026 às 17h38
 | Atualizado em: 27/03/2026 às 21h56
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Diagnóstico faz parte do Plano Municipal de Redução de Riscos, apresentado nesta sexta-feira (27/03), pelo Serviço Geológico do Brasil e a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades

Foto: Larissa Souza


Teresina (PI) – O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades apresentaram, nesta sexta-feira (27/03), durante audiência pública os resultados do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Teresina (PI). O estudo identificou 167 áreas de risco geo-hidrológico no município, onde vivem cerca de 28 mil pessoas. O documento apresenta também as propostas de intervenções para reduzir ou mitigar os riscos existentes nos setores classificados como de risco alto e muito alto.

A audiência pública foi promovida pelo SGB e SNP, em parceria com as secretarias municipais de Defesa Civil (SEMDEF) e de Articulação Institucional (SEMAI), por meio da Coordenação Agenda Teresina 2030.

O PMRR é um instrumento que contribui para fortalecer a capacidade do município de acessar recursos federais destinados à prevenção de desastres.

Áreas de risco geo-hidrológico

Do total de áreas mapeadas, sete foram classificadas como de risco muito alto, 66 como alto e 94 como médio. A maior parte da população exposta está em áreas de risco médio (24.156 pessoas), seguida pelas áreas de risco alto (4.116) e muito alto (108).

 

GRAU DE RISCO
NÚMERO DE ÁREAS
TOTAL DE DOMICÍLIOS
POPULAÇÃO ESTIMADA

MÉDIO

             94               6.039              24.156
ALTO
             66               1.029

              4.116

MUITO ALTO
               7                  27                108
TOTAL
             167               7.095             28.380


Os principais riscos estão associados a inundações e deslizamentos. Grande parte das áreas mapeadas está em regiões de planície sujeitas a alagamentos, especialmente nas margens dos rios Parnaíba e Poti. Segundo o relatório, a ocupação dessas áreas, muitas vezes com uso de aterros sobre solos de baixa capacidade de suporte, aumenta a exposição a eventos como inundações recorrentes, erosão e colapso do solo. Em áreas mais elevadas, a presença de encostas íngremes e paredões rochosos também favorece a ocorrência de deslizamentos e queda de blocos.

“O mapeamento combina análise de campo e critérios técnicos para identificar onde estão as áreas de risco e quais processos atuam em cada local. Isso permite orientar intervenções mais adequadas, apoiando o poder público e beneficiando diretamente a população”, explica o pesquisador do SGB Tiago Antonelli, chefe da Divisão de Geologia Aplicada.

Durante participação por meio de vídeo, o secretário Nacional de Periferias do MCid, Guilherme Simões, destacou a importância da entrega para reduzir vulnerabilidades sociais: “Prevenção de riscos não é uma questão de engenharia, é uma questão de justiça social”.

O secretário Municipal de Articulação Institucional, Luis André, reforçou o compromisso do poder público com a implementação do plano: “Nós, da SEMAI, estamos comprometidos a auxiliar no que for possível e estiver dentro da nossa competência na concretização das propostas para resolver a situação mapeada pelo SGB e pela Secretaria do Ministério das Cidades durante a audiência pública”.

Com o material em mãos, a prefeitura terá acesso às recomendações de medidas estruturais e não estruturais e será a responsável por definir as ações necessárias para implementar o plano e reduzir os riscos identificados. O PMRR consolidado será publicado no site do Serviço Geológico do Brasil (SGB).

 

Foto: Larissa Souza



Bairros com áreas de risco

A Rua José Miguel Haddad, no Residencial Torquato Neto III, concentra o maior número de pessoas em área de risco. São mais de 8 mil pessoas expostas. O local foi classificado como de risco médico para alagamento e inundação. Em seguida, está a Rua El Shaday, no LIndalma Soares, onde cerca de 5,7 mil pessoas vivem em áreas com risco médio de inundação. 

Locais com risco geo-hidrológico médio

Os logradouros classificados com risco médio estão nas seguintes localidades: Residencial Torquato Neto III, comunidade Cancela, conjunto Pedro Balzi, bairros Angelim, Alto Alegre, Parque Jacinta, Santa Cruz, Santo Antônio, Três Andares, Cristo Rei, São Pedro, São Domingos, Santa Rosa, Lindalma Soares, Dilma Rousseff, Chapadinha, Pedra Mole, Santa Tereza, Água Mineral, Verde Lar, Cidade Nova, Mocambinho, São João, Bela Vista, Catarina, Vale Quem Tem, Mafrense, Vila da Paz, Nova Brasília, Lagoa Pantanal, Parque Alvorada, Redenção, Monte Alegre, Porto do Centro, Afonso Gil, Itararé, Parque Poti, Santana, Satélite e Parque Bumerangue.

Locais com risco geo-hidrológico alto

Conjunto Pedro Balzi, Bairros Angelim, Areias, Santa Cruz, Mocambinho, Bela Vista, Três Andares, Santa Teresa, Lagoa do Mocambinho, Alto Alegre, Verde Lar, Cidade Nova, Catarina, Chapadinha, Mafrense, Lagoa Pantanal, Afonso Gil, Porto do Centro, São Sebastião, Itararé, Recanto Pássaros, Satélite, Vale Quem Tem, Pedra Mole e Parque Bumerangue.

Locais com risco geo-hidrológico muito alto

Já os logradouros classificados com risco muito alto são: Ramal da Cancela (Santa Teresa), Rua Colombo (Bela Vista), Rua Santa Rosa (Três Andares), Rua Flor do Tempo (Pedro Balzi) e Rua Cedro (Poti Velho).


Entenda a elaboração do PMRR de Teresina

Previsto na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei nº 12.608/2012), o PMRR é um instrumento de gestão que orienta municípios na identificação, classificação e mitigação de riscos. Em Teresina (PI) os trabalhos começaram em outubro de 2024 e foram realizados em três etapas, finalizadas em julho de 2025. 
Com a participação da Defesa Civil e representantes das comunidades, pesquisadores do SGB percorreram bairros para identificar setores com risco a inundações e processos erosivos, conforme critérios técnicos estabelecidos em metodologias nacionais. 


Na etapa seguinte, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), contratado pelo SGB, realizou a revisão detalhada dos setores classificados como de risco alto e muito alto para elaborar as propostas de intervenções estruturais voltadas à mitigação dos riscos.


Todo esse conjunto de diagnósticos, análises e recomendações é consolidado no Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), elaborado pelo SGB no âmbito do Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado com a Secretaria Nacional de Periferias (SNP), do Ministério das Cidades, responsável pela coordenação nacional da iniciativa. O documento é apresentado durante capacitação técnica aos servidores municipais e em audiência pública para toda a comunidade. 

O PMRR é um instrumento técnico estratégico que gera informações para orientar o planejamento urbano e apoiar o município na captação de recursos e na implementação de ações de prevenção de desastres. A partir desse documento, caberá exclusivamente ao município definir prioridades, planejar e executar as ações necessárias, inclusive com base na captação de recursos junto a programas estaduais e federais.


Parceria SNP e SGB

A parceria entre SNP e SGB contempla dez cidades. Os PMRRs de Goiânia (GO), Paulista (PE) e Santa Cruz do Sul (RS) já foram apresentados em audiência pública e estão na fase final de revisão técnica. No dia 7 de abril, será realizada a audiência pública de Bento Gonçalves (RS). Os PMRRs de Maceió (AL), Fortaleza (CE), Rio Branco (AC), Blumenau (SC) e Rio do Sul (SC) estão em andamento.

Larissa Souza
Assessoria de Comunicação
 
Serviço Geológico do Brasil
Ministério de Minas e Energia
Governo Federal
imprensa@sgb.gov.br

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