Descoberta de nova espécie de dinossauro na Bahia resgata história paleontológica do Brasil

22/04/2024 às 19h29
 | Atualizado em: 29/04/2024
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Reconstrução artístico-científica do paleoambiente da Bacia do Recôncavo durante o Cretáceo Inferior. Ilustração de Matheus Gadelha.
Reconstrução artístico-científica do paleoambiente da Bacia do Recôncavo durante o Cretáceo Inferior. Ilustração de Matheus Gadelha.



Paleontólogos brasileiros analisaram fósseis coletados entre 1859 e 1906 na Bahia, a fim de desvendar os primeiros ossos de dinossauros identificados na América do Sul. Esses fósseis, anteriormente dados como perdidos, foram redescobertos no Museu de História Natural de Londres e pertencem tanto a dinossauros carnívoros quanto herbívoros.

Durante a análise, os cientistas identificaram uma nova espécie de dinossauro ornitísquio, popularmente conhecido como "bico-de-pato". A espécie foi batizada de Tietasaura derbyiana, uma homenagem à icônica personagem "Tieta do Agreste", do renomado escritor baiano Jorge Amado, e ao geólogo e naturalista Orville A. Derby (1851–1915), fundador do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, atualmente conhecido como Serviço Geológico do Brasil (SGB), e um dos pioneiros da paleontologia brasileira.

 

Árvore representando as relações evolutivas dos dinossauros ornitísquios da Bacia do Recôncavo.
Árvore representando as relações evolutivas dos dinossauros ornitísquios da Bacia do Recôncavo.

 


Segundo as pesquisadoras Kamila Bandeira e Valéria Gallo – ambas do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenadoras do estudo – a descoberta da Tietasaura derbyiana revela que essa espécie habitou o Brasil durante o período Cretáceo, uma fase crucial da era Mesozoica. Esse período foi marcado pela fragmentação do antigo supercontinente Gondwana, evento que originou os atuais continentes da América do Sul, Antártica, Austrália e África.

Já Rafael Costa, paleontólogo do Museu de Ciências da Terra (MCTer) do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e um dos co-autores do estudo, destacou que além da relevância científica e histórica do estudo, a descrição da Tietasaura derbyiana demonstra a importância da salvaguarda dos fósseis em museus, o que possibilita que sejam estudados e conhecidos mesmo após mais um século de sua coleta. “Os museus não são meros repositórios de objetos velhos, mas berçários de novas ideias e fontes inesgotáveis de novas pesquisas científicas”, enfatizou.

 

Metade distal do fêmur esquerdo da nova espécie, Tietasaura derbyiana (NHM-PV R.3424), em diferentes vistas. Escala = 100 mm.
Metade distal do fêmur esquerdo da nova espécie, Tietasaura derbyiana (NHM-PV R.3424), em diferentes vistas. Escala = 100 mm.


Essa pesquisa confirmou a presença de dinossauros ornitísquios no Brasil, com base em evidências osteológicas, expandindo sua faixa geográfica e temporal para antes da separação continental entre a América do Sul e a África. “Os depósitos da Bacia do Recôncavo, por exemplo, abrigam um registro fossilífero relativamente diversificado, incluindo microfósseis diversos, pólens, esporos, restos de plantas preservados em âmbar e troncos de coníferas silicificados”, completou Costa.

A descoberta, publicada na prestigiada revista Historical Biology, intitulada de “A Reassessment of the Historical Fossil Findings from Bahia State (Northeast Brazil) Reveals a Diversified Dinosaur Fauna in the Lower Cretaceous of South America”, está disponível aqui.

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