Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo

09/08/2023 às 00h00
 | Atualizado em: 01/03/2024
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Palestra sobre Projeto Urânio Brasil é apresentada durante evento do Serviço Geológico do Brasil e Indústrias Nucleares do Brasil



No primeiro dia do Workshop SGB-INB, o pesquisador e geólogo Felipe Tavares, do Serviço Geológico do Brasil, apresentou o Projeto Urânio Brasil, criado em 2020, com uma análise multiescala, desde uma perspectiva continental, isto é, em todo o país, e até local.
Na palestra, Tavares comentou que o Brasil tem papel central na discussão sobre a transição energética, pois tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, especialmente a matriz elétrica, na qual o urânio tem uma contribuição importante –– cerca de 4%.
“Entendo que o papel do país seja muito relevante no fornecimento dos insumos necessários para a produção de equipamentos e das redes que vão orientar essa transição energética. Temos todos esses recursos minerais considerados estratégicos e também temos abundância e potencial exploratório para novas descobertas”, ressaltou.
A iniciativa visa fomentar e impulsionar a exploração de urânio no país e reconhecer o potencial de forma mais assertiva da quantidade do mineral que o país possui, através da atualização de base de dados e modelos exploratórios, exploração geoquímica e geofísica, reconhecimento de assinaturas de depósitos, modelamento de potencial mineral e estimativa de recursos não descobertos.
Além disso, busca identificar novas áreas para prospecção do urânio e, assim, contribuir para estimar os recursos de minérios nucleares não descobertos, além de avaliar sua viabilidade de aproveitamento econômico.
A partir de 2021, o Projeto Urânio Brasil iniciou as etapas de campo na área de Lagoa Real (BA). Entre 2022 e 2023 outras áreas foram visitadas (Poços de Caldas, Goiás, Ceará, Sul do Pará) para checagem de campo das ocorrências e trabalhos, a fim de aprimorar o conhecimento na região e propor novas áreas que possam conter mineralizações.
Entre as entregas já realizadas, destaca-se o Mapa de Avaliação do Potencial de Urânio do Brasil, relativo à primeira fase do projeto e finalizado em 2022. O documento apresenta um conjunto de informações, com avaliação atualizada, dos depósitos e províncias uraníferas do país. Há também delimitação das unidades geológicas mais favoráveis para ocorrência desse minério, a partir de métodos de hierarquização mineral. Acesse aqui.
O encontro contou com a participação do diretor-presidente do SGB, Cassiano Alves, e do diretor de Recursos Minerais das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Rogério Mendes Carvalho, além de outros representantes das duas instituições.
Visão estratégica

O SGB desempenha papel estratégico no processo de transição energética em andamento no mundo. Os produtos do Projeto Urânio Brasil podem fornecer informações para subsidiar a tomada de decisão nas esferas pública e privada, além de pesquisa e exploração de depósitos dos minerais no país.
O pesquisador Felipe Tavares reforçou o papel estratégico do urânio, com sua produção voltada para o consumo doméstico no Brasil. De acordo com ele, no fim do ano passado a legislação mudou de forma a permitir que a iniciativa privada participe na extração de urânio, em conjunto com as empresas estatais, que já existiam. Os recursos totais de urânio no Brasil excedem 1 milhão de toneladas, entretanto, aproximadamente 70% desses recursos são prognosticados e especulados.
“O SGB provê informações geológicas relevantes para a tomada de decisão das Indústrias Nucleares do Brasil, sobre como e onde realizar essa atividade de exploração mineral”, destacou Felipe Tavares.
Ele acrescentou que “com a mudança da legislação, que flexibilizou o monopólio na exploração do urânio, empresas privadas podem fazer parcerias com a INB para explorar o mineral, o que pode reposicionar o Brasil como um importante player do setor, ao fornecer os insumos necessários para as usinas no país e, no futuro, exportar o metal”.
Núcleo de Comunicação
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