2º Alerta de Cheias do Amazonas confirma níveis acima da cota de inundação em Manaus e Manacapuru
2º Alerta de Cheias do Amazonas confirma níveis acima da cota de inundação em Manaus e Manacapuru
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou, nesta quinta-feira (30/04), as projeções hidrológicas com 45 dias de antecedência para o pico da cheia
Manaus (AM) – As projeções do 2º Alerta de Cheias do Amazonas do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgadas nesta quinta-feira (30/04), confirmam que os níveis dos rios em Manaus e Manacapuru apresentam alta probabilidade de ultrapassar a cota de inundação, no entanto, o evento é classificado como uma cheia de baixa magnitude. Nas estações de Itacoatiara e Parintins, os indicadores apontam baixa probabilidade de ocorrência de cenário de inundação.
Os dados são essenciais para orientar ações de prevenção e resposta, subsidiar a atuação das Defesas Civis e o processo de tomada de decisão pelos gestores públicos e pela população nas áreas potencialmente afetadas.
Prognóstico de níveis máximos
| Estação | Cota prevista |
| Manaus (Rio Negro) | 28,23 m |
| Manacapuru (Rio Solimões) | 19,16 m |
| Itacoatiara (Rio Amazonas) | 13,73 m |
| Parintins (Rio Amazonas) | 8,07 m |
Durante o 2º Alerta de Cheias, o pesquisador Andre Martinelli, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA), explicou que de maneira geral as cotas previstas estão dentro da normalidade estatística para a série histórica. “A cota em Manaus, por exemplo, não deve superar a cota de inundação severa de 29 m – cota que traz mais transtorno ao município”, disse Martinelli.
Em relação ao cenário para seca, Martinelli destaca: “Elaboramos cenários baseados na estação de Tabatinga (AM), que indicam quadro de apreensão. Se, de fato, o El Niño divulgado pelos meteorologistas se confirmar, poderemos enfrentar uma estiagem extrema em 2026”.
Projeções para os rios
O SGB usa os dados da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) processados por modelos hidrológicos, que operam com um intervalo de confiança de 80%. Segundo as previsões, o rio Negro deve atingir cerca de 28,23 m em Manaus, com possibilidade de variar entre 27,69 m e 28,76 m. A probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação na capital (27,50 m) é de 96%. Para a cota de inundação severa (29 m) essa probabilidade é de 3%, e para a cota máxima (30,02 m em 2021) é menor que 1%.
Em Manacapuru (AM), a previsão para Solimões é de, aproximadamente, 19,16 m, com intervalo provável de 18,63 m a 19,69 m. A probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação em Manacapuru (18,20 m) é de 99%, enquanto a de atingir a cota de inundação severa (19,60 m) essa probabilidade é de 13%, já a cota máxima registrada em 2021 (20,86m) a probabilidade está abaixo de 1%.
Em Itacoatiara e Parintins, há baixa probabilidade do rio Amazonas atingir a cota de inundação. De acordo com as informações do SGB, em Itacoatiara (AM), a projeção é de que o nível chegue a 13,73 m (intervalo provável de 13,34 m a 14,13 m), com apenas 17% de chance do rio atingir a cota de inundação (14 m), já a probabilidade de atingir cota de inundação severa (14,20 m) é de 5%. Para superar a cota máxima (15,20 m em 2021), a probabilidade é menor que 1%.
Em Parintins, a previsão é que o rio Amazonas atinja a cota de 8,07 m (intervalo provável de 7,80 m a 8,34 m), com probabilidade de apenas 4% de atingir a cota de inundação (8,43 m) e de superar a cota de inundação severa (9,30 m) ou a cota máxima (9,47 m) é menor que 1%.
Articulação institucional
O evento de divulgação do 2º Alerta de Cheias do Amazonas contou com a participação de pesquisadores e colaboradores da unidade, além de representantes de instituições parceiras, como o pesquisador Renato Senna, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); o secretário executivo adjunto de Operações da Defesa Civil do Estado do Amazonas, 1º tenente Fabiano Vieira; e a gerente de Mapeamento e Georreferenciamento da Defesa Civil de Manaus, Rosaria Rodrigues Ferreira.
A superintendente regional de Manaus, Jussara Cury, reforça a importância desse diálogo entre as instituições. “Além da divulgação da previsão da cheia de 2026, compartilhamos informações técnicas e operacionais das principais entidades de monitoramento do Amazonas, oportunizando um bom debate dos cenários do clima e hidrologia da Amazônia”, disse.
Larissa Souza
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil
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