Você quer falar sobre algum tema abaixo? Agende a sua entrevista pelo e-mail: imprensa@sgb.gov.br
Estudo publicado na revista Nature Communications com participação do SGB contribui para aprimorar modelos globais de inundação
Pesquisa internacional, em parceria com as universidades de Oxford e de Loughborough, revela que rios em regiões tropicais transbordam com maior frequência do que o estimado
Brasília (DF) – Um estudo internacional publicado na revista científica Nature Communications, nesta terça-feira (18/08), apresenta novas evidências que podem ajudar a aprimorar modelos globais de risco de inundações. As pesquisas foram realizadas por especialistas das universidades de Oxford e Loughborough, com participação de pesquisadores de instituições de diferentes países, incluindo o Serviço Geológico do Brasil (SGB).
O trabalho contesta uma premissa adotada mundialmente, desde 1950, e demonstra que a frequência de transbordamento dos rios (vazão de calha cheia ou bankfull discharge) varia de forma expressiva segundo o clima da região. Historicamente, os os Modelos Globais de Inundação (GFMs) ) utilizam a chamada "regra dos dois anos" para estimar o limite máximo de água que um rio comporta antes de transbordar, em qualquer lugar do mundo.
O estudo mostra que essa generalização, com base em dados da década de 1950, induz a erros. Em regiões tropicais, como a maior parte do Brasil, os rios atingem a capacidade máxima com uma mediana de 1,5 ano, com registros observados de até 1 ano. Isso faz com que transbordem quase três vezes mais frequentemente do que rios em regiões áridas (onde a mediana é de 4,3 anos), e não no intervalo padrão de 2 anos assumido anteriormente.
Além disso, modelos globais tendem a subestimar a profundidade e a extensão das inundações nessas regiões, reduzindo a percepção do real impacto das cheias em áreas tropicais.
Estimativa das vazões
Para estimar essas vazões no mundo, pesquisadores analisaram dados observacionais e usaram machine learning (IA) em cerca de 2,87 milhões de km de rios, com resolução de aproximadamente 1 km. A metodologia combinou observações, conhecimento hidrológico e aprendizado de máquina para preencher lacunas, especialmente em rios sem monitoramento, e melhorar a representação dos canais nos modelos globais de inundação.
Durante a pesquisa, o pesquisador do SGB Marcus Suassuna contribuiu com dados e aplicação de métodos de estimativas de vazão de calha cheia no país. Essa variável não é medida diretamente nas estações monitoradas pelo SGB, por isso foi estimada a partir de registros de medições de vazão e de dados das seções transversais das estações.
Os dados históricos disponibilizados pelo Serviço Geológico do Brasil também contribuíram para as estimativas realizadas no território brasileiro, ampliando a representação da América do Sul no modelo global.
Recomendações globais e ciência aberta
A pesquisa recomenda três mudanças para a comunidade global:
Todos os dados de vazão (GQBF - Global River Bankfull Discharge) e os códigos desenvolvidos no estudo foram disponibilizados abertamente no repositório Zenodo.
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil
imprensa@sgb.gov.br
Dados, Informações e Produtos das Geociências
Sistema de Alerta de Eventos Críticos
Rede Integrada de Monitoramento de Águas Subterrâneas
Repositório Institucional de Geociências
E-mail: imprensa@sgb.gov.br
Chefe da Assessoria de Comunicação
Michelle de Aquino Araújo - michelle.araujo@sgb.gov.br
Coordenadora de Relacionamento com a Imprensa
Larissa Souza - larissa.souza@sgb.gov.br