Erosão Hídrica - Após avaliação dos critérios e a realização de ajustes metodológicos utilizando dados de estimativas de perda de solo devido à erosão em função das classes de solo e tipo de uso, as estimativas do risco de erosão para todo o território nacional apresentam um quadro positivo para a área agropecuária brasileira (Freitas et al., 2023).
Embora a área ocupada por culturas anuais, perenes e pastagens tenha aumentado no período de 2000 a 2022, a área com risco alto e severo de erosão hídrica se mantem estáveis. Nas áreas com culturas anuais e perenes, essa conquista se deve à adoção de sistemas conservacionistas, como o Sistema Plantio Direto – SPD (Figura 1).
Nas áreas de pastagens, a adoção de sistemas integrados como a integração Lavoura-Pecuária- Floresta (iLPF), ao lado de políticas que promovem a recuperação de pastagens degradadas, promoveram o aumento na área com risco tolerável (Figura 2).
Metodologia inovadora, baseada em modelo para geração de dados primários que permitam o mapeamento do risco potencial de erosão hídrica Proposta novo procedimento metodológico para o cálculo do risco de erosão para todo o território nacional baseado na Equação Universal de Perda de Solo Revisada (RUSLE) e de produtos advindos de sensoriamento remoto. Fatores RUSLE são obtidos, pixel a pixel, associando a informação sobre erodibilidade do solo (Fator K – análise especialista de 8.000+ componentes de unidades de mapeamento na escala 1:250.000 – IBGE), erosividade das chuvas (Fator R - dados mensais de precipitação da rede de ZARC e SGB/CPRM - 3.659 estações pluviométricas). O Fator LS (comprimento da encosta e fator de declividade) é baseado na equação de LI et. al. (2023) calculado em função do declive e do fluxo acumulado e da direção do fluxo superficial obtidos a partir do modelo digital do terreno - SRTM (Shuttle Radar Topography Mission). O Fator C (cobertura e manejo) é calculado tendo or base estudos publicados em revistas científicas de alto fator de impacto que indica, como mais adequado, equações ropostas por KNIJFF et. al. (1999), HUETE et al. (2002) e ROUSE et al. (1973) utilizando o NDVI (Normalized Difference Vegetation Index), índice que fornece informações importantes sobre a biomassa, isto é, a saúde da vegetação verde e o monitoramento de mudanças sazonais e interanuais no crescimento e atividade da vegetação. Por se tratar do Risco Potencial de Erosão Hídrica, o Fator P (práticas conservacionistas) foi considerado igual a 1 (inexistente). Para a geração de imagens raster é utilizado o Google Earth Engine (computação em nuvem, paralela e de alto desempenho, utilizando supercomputadores do Google para o processamento de grandes volumes de dados geoespaciais), operando por meio de linguagem de programação JavaScript complementado com rotinas via Google Colab por meio da linguagem de programação Python. A metodologia desenvolvida baseada na RUSLE foi implementada para todo o Brasil para os anos de 2013, 2018 e 2023. O modelo permite a atualização periódica e automática do Fator C a partir de índices de vegetação extraídos por imagens de satélite e é disponibilizada na Plataforma Pronasolos.
Conheça a Plataforma Pronasolos
Outro modelo de avaliação do potencial de controle de erosão hídrica o modelo se baseia na estimativa de intensidade da chuva e de dados de condutividade hidráulica saturada, determinados a campo ou em laboratório. O controle da erosão hídrica utiliza como proxy a diferença entre a intensidade da chuva em um determinado período de recorrência e a capacidade de infiltração calculada a partir da condutividade hidráulica para bacias hidrográficas, regiões, estados ou municípios. A validação do modelo proposto permitirá nortear a adoção de práticas e técnicas de manejo sustentável do solo e a formulação de políticas públicas de conservação do solo e da água.
Erosão Eólica - O indicador de Risco de Erosão Eólica, fenômeno raro no Brasil, vem sendo estudado quanto a sua adequabilidade e sua factibilidade em função do procedimento metodológico e da disponibilidade de dados.