Programa SGBeduca na COP30: o papel da educação como base para um futuro sustentável, inclusivo e de igualdade étnico-racial

17/11/2025 às 15h35
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Pesquisadoras do SGB realizaram apresentações na última sexta-feira (14) na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) destacando a função da educação na construção de um futuro mais justo para o planeta
 

Foto: Divulgação/SGB


Belém (PA) - O Serviço Geológico do Brasil (SGB) defendeu a pauta da educação como agente crucial na criação e transformação do futuro, na última sexta-feira (14), na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). Em dois painéis na Zona Verde, as pesquisadoras Vanessa Lobato e Fernanda Giselle do Nascimento realizaram apresentações de seus trabalhos com o SGBeduca, programa institucional voltado à popularização das geociências e à promoção da educação climática e ambiental, que busca aproximar a ciência da sociedade e fortalecer a consciência socioambiental.



ODS 18 e Racismo Ambiental: A Contribuição das Geociências para a Igualdade ÉtnicoRacial no Brasil

No painel intitulado “ODS 18 e Racismo Ambiental: A Contribuição das Geociências para a Igualdade ÉtnicoRacial no Brasil”, a pesquisadora do SGB Vanessa Lobato trouxe o foco para o Racismo Ambiental, apresentando uma ferramenta inovadora que integra dados espaciais do Censo Demográfico 2022 do IBGE com informações técnicas detalhadas do próprio SGB, para oferecer uma perspectiva abrangente sobre como as injustiças ambientais afetam desproporcionalmente populações vulneráveis, como negras, indígenas, quilombolas e comunidades em favelas.
 

Foto: Divulgação/SGB


O recurso, disponível gratuitamente no portal institucional do SGB, foi desenvolvido pela pesquisadora Patrícia Jacques, do comitê SGB Sustentável, e combina informações de áreas de alto e muito alto risco — mapeadas pelo Departamento de Gestão Territorial do SGB — com territórios identificados pelo IBGE como favelas, áreas indígenas e quilombolas. A proposta é apoiar na identificação de áreas com maior risco geológico em áreas habitadas por etnias e populações mais vulneráveis, permitindo conhecer os municípios que já desenvolveram e publicaram seus planos de ação emergencial de risco geológico, de forma a proteger e aumentar a resiliência dessas populações.

A criação da ferramenta tem como principal objetivo subsidiar a construção de indicadores para o ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial, em sua meta preliminar de número 6, que trata de assegurar moradias adequadas, seguras e sustentáveis aos povos indígenas e afrodescendentes, incluindo comunidades tradicionais, favelas e comunidades urbanas, com garantia de equipamentos e serviços públicos de qualidade, com especial atenção à população em situação de rua. Esse é um compromisso da Agenda 2030 brasileira e reforça o papel ativo do SGB no Grupo de Trabalho responsável pela definição de metas e indicadores do Objetivo, mantendo um diálogo contínuo com o Observatório do ODS 18, o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Ao consolidar dados oficiais e disponibilizá-los em uma interface acessível e interativa, o SGB reafirma seu compromisso com a promoção da justiça socioambiental e com a disseminação do conhecimento geocientífico como catalisador de transformação social.


Educação Climática e Popularização das Geociências na Amazônia

A pesquisadora Fernanda Giselle do Nascimento realizou apresentação com o tema “Educação Climática e Popularização das Geociências na Amazônia”, divulgando o trabalho do SGBeduca, que vem se consolidando como um importante instrumento de educação científica e ambiental na Amazônia.

Atuante, principalmente, na região metropolitana de Belém e em municípios como Abaetetuba e Paragominas, o Programa alcança crianças, adolescentes e adultos oferecendo diversas atividades que estimulam a observação crítica do ambiente e a compreensão dos processos naturais que influenciam a vida nas cidades amazônicas, relacionando ciência e cotidiano. A importância do trabalho tem relação com a especificidade da região, tendo em vista que a Amazônia enfrenta desafios ambientais e climáticos complexos, resultantes da combinação entre alta pluviosidade, dinâmica fluvial intensa, diversidade geológica e expansão urbana em áreas vulneráveis.

As ações do SGBeduca no Pará incluem as Oficinas de Fósseis, de Riscos Geo-hidrológicos, de Geologia das Coisas e Rochas do Pará, que tratam de temas como erosão, subsidência, inundação, origem mineral dos objetos cotidianos e formação das rochas locais. Destacam-se também as visitas guiadas ao Núcleo Regional do SGB em Belém, onde o visitante tem a oportunidade de conhecer minerais, rochas, fósseis e até mesmo os métodos utilizados na pesquisa geológica.

Em sua fala no evento, a pesquisadora celebrou a oportunidade de representar o Programa na COP30: “a presença do SGBeduca no Pavilhão Pará é um importante momento de divulgar práticas educativas transformadoras e estimular parcerias interinstitucionais, conectando experiências locais a soluções globais de enfrentamento à crise climática e reforçando o papel da educação como base para um futuro sustentável, inclusivo e resiliente.”
 

Foto: Divulgação/SGB


O SGBeduca adota uma abordagem participativa, inclusiva e territorialmente integrada, valorizando o conhecimento local e o diálogo entre técnicos, educadores e estudantes. Ao combinar educação científica, comunicação social e sensibilização ambiental, o programa contribui para a mitigação e adaptação climática e para o fortalecimento da governança socioambiental na Amazônia.


Tariana Fernandes
Núcleo de Comunicação

Serviço Geológico do Brasil
Ministério de Minas e Energia
Governo Federal
imprensa@sgb.gov.br

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